Mesmo sob investigação da Polícia e do Ministério Público, empresa seguiu vendendo remédios falsos contra o câncer em SP

Operação mira venda de medicamentos falsos para tratamento contra o câncer As investigações do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (...

Mesmo sob investigação da Polícia e do Ministério Público, empresa seguiu vendendo remédios falsos contra o câncer em SP
Mesmo sob investigação da Polícia e do Ministério Público, empresa seguiu vendendo remédios falsos contra o câncer em SP (Foto: Reprodução)

Operação mira venda de medicamentos falsos para tratamento contra o câncer As investigações do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) de Ribeirão Preto (SP) contra um esquema de comercialização de medicamentos oncológicos falsificados apontam que a empresa responsável pela distribuição dos produtos continuou funcionando mesmo depois da interdição, durante a primeira fase da operação, em novembro de 2024. "Pelo que se levantou, o foco deles seria a venda de medicamentos oncológicos, como eu disse, voltados ao tratamento do câncer, o que despertou a necessidade de uma atuação de prontidão o mais rápido possível para fazer cessar essa conduta, que a gente espera que tenha conseguido, ou ao menos iniciado, o processo de interrupção na data de hoje", afirmou o promotor de Justiça do Gaeco Júlio Saraiva. A segunda fase da Operação Laziosi foi deflagrada nesta quinta-feira (5) e resultou na prisão de três pessoas, além da apreensão de dinheiro em espécie, celulares, equipamentos eletrônicos e dois veículos. Os 21 mandados de prisão e de busca e apreensão foram cumpridos em São Paulo e em cidades do interior de São Paulo como Araraquara (SP), Matão (SP), Marília (SP), Agudos (SP) e Mirassol (SP). Também foi autorizado pela Justiça o bloqueio de até R$ 15 milhões em bens e valores dos investigados, de empresas a eles ligadas e de interpostas pessoas, e a suspensão das atividades de sete empresas. ✅Clique aqui para seguir o canal do g1 Ribeirão e Franca no WhatsApp Os investigados são Nalva Braz do Nascimento, apontada como responsável pelo controle da distribuidora em Araraquara, Petter Gabriel Cavalcante Chagas, apontado pelo relacionamento direto com os hospitais, e Sharlene Chaves Barbosa, na gestão das operações financeiras do esquema. Eles respondem por adulteração de medicamento, lavagem de dinheiro e organização criminosa. A reportagem não conseguiu falar com as defesas dos investigados. Segundo as autoridades, eles preferiram permanecer em silêncio durante as prisões. "Eles vão provavelmente ser instruídos por advogados agora e vão falar só em juízo", disse o delegado Diógenes Santiago, da Polícia Civil de Ribeirão Preto. Durante a primeira fase, foram cumpridos mandados de busca e apreensão na sede da Nacionalfarma, em Araraquara, e a Vigilância Sanitária interditou produtos e medicamentos, mas não interrompeu as atividades da empresa. Em abril de 2025, menos de cinco meses após ter a sede vasculhada pela polícia, a Nacionalfarma, continuava vendendo medicamentos sem princípio ativo a hospitais e trocando ampolas por lotes roubados. "Começou com a apuração de uma venda de medicamento, uma unidade de um medicamento falsificado por um hospital, feita por uma distribuidora sediada em Araraquara, e a gente aprofundou essa investigação. Fizemos buscas em 2024, aprofundou essa investigação e apurou a existência mesmo de uma organização criminosa dedicada a praticar esse tipo de crime, a circular, a vender esses medicamentos. Constatamos a existência de outras vendas ocorridas, outras comercializações ocorridas desde então." Segundo o Ministério Público, mesmo após as investigações, foram comercializadas nove unidades de nivolumabe, cuja falsificação foi constatada pela detentora do registro: uma delas chegou a ser administrada a um paciente. As outras oito foram recolhidas e trocadas pela distribuidora por unidades de outro lote, este proveniente de roubo de carga ocorrido em novembro de 2024, em Uberaba (MG). A Vigilância Sanitária de Araraquara apontou que, em março deste ano, a empresa permanecia em atividade e a responsável dificultava as fiscalizações. No mês passado, uma nova diligência confirmou que a distribuidora continuava em operação. Na segunda fase, a Justiça determinou a suspensão total das atividades. O g1 tenta localizar a defesa da empresa. Medicamentos falsificados foram apreendidos em operação do Gaeco de Ribeirão Preto, SP, e da Polícia Civil Divulgação/Polícia Civil A primeira fase da Operação Laziosi teve início em 2024, após o laboratório fabricante denunciar que a distribuidora vendeu medicamentos falsificados a um hospital de São Paulo. LEIA TAMBÉM Operação contra venda de medicamentos falsificados para tratamento de câncer cumpre mandados de prisão em SP Remédio falsificado alvo de operação em SP é o mesmo indicado ao papa Leão XIV; laudo encontrou só sódio e cloro Segundo o Gaeco, a análise laboratorial do fabricante constatou a ausência do princípio ativo, e a perícia oficial confirmou a falsificação. "O material apreendido na primeira fase, em novembro de 2024, apontou a atuação da distribuidora em conjunto com uma rede de empresas interligadas, parte delas sem estrutura operacional nos endereços declarados". Ainda segundo o Gaeco, entre janeiro e novembro de 2024, a distribuidora emitiu notas fiscais de saída do imunoterápico que somam mais de R$ 1,5 milhão, para destinatários de ao menos sete estados. Veja mais notícias da região no g1 Ribeirão Preto e Franca VÍDEOS: Tudo sobre Ribeirão Preto, Franca e região